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Home Ciência

“É muito debilitante”. O que já se sabe sobre os efeitos a longo prazo da covid-19

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
16 de Outubro de 2020
Reading Time: 4 mins read
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USDoE

Quase um ano depois do aparecimento do novo coronavírus, ainda há muitas dúvidas acerca da recuperação dos pacientes após a infeção – há quem recupere rapidamente e há quem sofra efeitos a longo prazo. Um novo estudo, realizado no Reino Unido, analisou tudo o que se sabe sobre as consequências do vírus.

Quando a pandemia de covid-19 começou, no início do ano passado, a informação sobre o vírus era escassa. No entanto, sabia-se que se tratava de uma doença respiratória, da qual a maioria das pessoas recuperava no período de duas ou três semanas. Mas, a cada dia que passa, surgem novos dados e há dezenas de milhares de pessoas, senão centenas de milhares, em todo o mundo que relatam continuar a ter sintomas meses após a infeção.

O Instituto Nacional de Pesquisa de Saúde (NIHR), no Reino Unido, realizou uma pesquisa baseada num grupo de pacientes, que forneceu novos conhecimentos e perspetivas acerca das consequências da covid-19.

O relatório divulgado quinta-feira sugere que a Long Covid – termo não-oficial usado por pessoas que sofrem sintomas da doença meses após terem sido infetadas – pode não ser uma doença única, mas até quatro diferentes, e que alguns pacientes podem experiência-las simultaneamente ao longo do tempo.

“Acreditamos que o termo Long Covid está a ser usado para mais de uma síndrome, possivelmente até quatro”, disse Elaine Maxwell, autora do relatório, ao The Guardian.

Ainda existe pouca informação acerca do número de pessoas em risco de sofrer efeitos a longo prazo causados pelo novo coronavírus ou sobre a duração desses sintomas. Mas o NIHR identificou quatro subtipos de Long Covid que incluem: pacientes que sentem as sequelas do tratamento intensivo hospitalar, fadiga pós-viral, danos permanentes nos órgãos e sintomas oscilantes que afetam vários sistemas.

“Para algumas pessoas, a infeção por covid-19 não é um episódio discreto, marca o início de sintomas a longo prazo e muitas vezes debilitantes. Para alguns, isto relaciona-se com a reabilitação após um internamento hospitalar, mas outros relatam sequelas depois de sofrer uma infeção que foi tratada em casa, com os sintomas a tornarem-se mais severos à medida que o tempo passa”, diz o artigo.

Quais são os sintomas de longo prazo da covid-19?

Alguns sintomas de longo prazo são oscilantes e afetam diversos sistemas – primeiro surgem num sistema fisiológico e, quando começam a diminuir de intensidade, aparecerem outros sintomas num sistema diferente. Uma pesquisa descobriu que 70% das pessoas sentiram oscilações no tipo e 89% na intensidade dos sintomas.

“É muito debilitante. Tenho sintomas de cansaço severo, dores de garganta recorrentes e ‘nevoeiro’ cerebral. Tudo isto teve um enorme impacto não só na minha saúde, mas também na minha família, vida social e emprego. E o que torna tudo pior é que ninguém sabe quanto tempo irá demorar até recuperar totalmente”, disse Pretty, citada pelo NIHR.

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Uma equipa de investigadores italiana revelou que 87% dos pacientes que tiveram alta de um hospital em Roma continuaram a ter pelo menos um sintoma, 60 dias depois de serem infetadas. Além disso, 55% tinham três ou mais sintomas, incluindo cansaço (53%), dificuldade respiratória (43%), dores nas articulações (27%) e dores no peito (22%).

“A covid-19 é, claramente, uma doença complexa que afeta vários sistemas, não só o sistema cardiovascular. Isto ocorre tanto na fase aguda, como na fase de recuperação” disse Alex Bennett, professor de Reumatologia e Reabilitação em Stanford Hall, explicando que as sequelas mais comuns em doentes que foram infetados com o vírus são “o cansaço (que pode ser grave), dores musculares, ansiedade, mau humor, problemas cognitivos e dor torácica atípica.”

A falta de ar frequente, tosse e o batimento cardíaco acelerado podem ser sintomas de danos nos pulmões ou no coração, o que não significa que estes órgãos fiquem permanentemente afetados.

As lesões pulmonares parecem particularmente prevalecentes entre pacientes que necessitaram de tratamento médico e um estudo recente descobriu que seis semanas após a alta hospitalar, cerca de metade dos pacientes ainda sentia falta de ar, valor que reduziu para os 39% em 12 semanas.

Outro estudo – realizado com pacientes que apresentavam sintomas relativamente leves quando foram infetados, em março – revelou que 78% apresentava alterações estruturais anormais no coração. No entanto, essas mudanças não causaram necessariamente sintomas e pensa-se que se possam dissipar com o tempo.

Já os doentes que ficam internados em unidades de cuidados intensivos sentem-se, frequentemente, muito fracos para se sentarem ou levantarem os braços e alguns podem, até, sentir dificuldade em falar e engolir – consequência da ventilação. Outras sequelas menos comuns são, a depressão ou o transtorno de stresse pós-traumático.

As estimativas sugerem que 10% dos pacientes infetados com covid-19 apresentam sintomas que duram mais de três semanas, e cerca de um em cada 50 ainda se sentirá doente após três meses.

Além disso, o relatório do NIHR indica que esses sintomas duradouros foram observados em todas as faixas etárias, incluindo crianças. “Acima dos 18 anos, o risco de sintomas que duram mais de um mês parece aumentar com a idade”, disse Tim Spector, professor de epidemiologia genética do King’s College, em Londres.

STS , ZAP //

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