Vila Real, Portugal – O ano letivo de 2026/2027 marcará a estreia do Mestrado Integrado em Medicina na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD). Com 40 vagas abertas pelo Concurso Nacional de Acesso ao Ensino Superior, a iniciativa visa combater a escassez de médicos nas zonas de menor densidade populacional, equilibrando a oferta de profissionais entre o litoral e o interior.
O investimento global ascende a 12,6 milhões de euros, a ser executado num ciclo de quatro anos. O Ministério da Educação, Ciência e Inovação assegura uma fatia de 4,7 milhões de euros, num plano que formaliza a colaboração entre o Instituto para o Ensino Superior, a própria UTAD e a Unidade Local de Saúde (ULS) de Trás-os-Montes e Alto Douro. A estratégia conta ainda com o apoio de 21 municípios dos distritos de Vila Real e Viseu, que se comprometeram a facilitar o alojamento e a mobilidade dos estudantes durante as suas rotações clínicas.
João Barroso, reitor da instituição, descreve a medida como um “marco estratégico” para a universidade. O orçamento garantido permitirá avançar com infraestruturas essenciais, nomeadamente a readaptação da biblioteca para acolher os alunos na fase inicial e o desenvolvimento do futuro edifício definitivo. O plano contempla ainda a criação de um Centro de Competências e Aprendizagem em Ambiente Simulado e a contratação de 15 novos docentes e investigadores de carreira.
A vertente pedagógica do curso, que obteve uma acreditação condicional de dois anos pela A3ES, assenta em métodos de ensino focados em pequenos grupos, análise de casos clínicos e simulação. Esta componente prática será desenvolvida em articulação com a ULS de Trás-os-Montes e Alto Douro, que abrange as unidades hospitalares de Vila Real, Chaves e Lamego. O modelo formativo dá especial ênfase à humanização do atendimento, à medicina preventiva e aos cuidados de saúde primários.
Para assegurar o cumprimento dos objetivos, foi constituída uma Comissão de Acompanhamento do Contrato-Programa, com o dever de monitorizar a execução do investimento e de propor ajustes necessários ao modelo de ensino. Segundo o governo, a aposta visa mitigar a distribuição assimétrica de clínicos no Serviço Nacional de Saúde, garantindo que os novos profissionais permaneçam ligados aos territórios onde se formam.











