O início do ano letivo trouxe uma onda de críticas ao ministro da Educação, Fernando Alexandre, com o secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, a apontar o dedo à existência de centenas de alunos sem colocação definida. A acusação foca-se na responsabilidade política do governante e no desmantelamento das delegações regionais da DGEstE, que, segundo o socialista, eram fundamentais para gerir as escolas em rede e prestar apoio direto às famílias.
Fernando Alexandre rejeita a ideia de retrocesso. Para o ministro, a estrutura extinta era ineficaz e pouco funcional, garantindo que a reorganização do ministério permitirá uma gestão superior, apesar da resistência de cerca de 500 trabalhadores afetados pela mudança. “Não tenho dúvidas de que o ministério vai funcionar muito melhor”, assegurou.
Quanto às famílias que permanecem sem saber onde os filhos irão estudar, o ministro garante que a equipa ministerial está a tratar cada situação individualmente. A promessa é clara: todos terão uma vaga na região onde residem ou trabalham, ainda que a alocação possa não corresponder à preferência inicial dos encarregados de educação. O governante sublinha que a pressão demográfica em certas zonas dificulta o processo, especialmente quando ocorrem mudanças de residência tardias.
O cenário é agravado pela escassez de docentes. Na última semana, o sistema recebeu mais 2000 atestados médicos, obrigando a um esforço acrescido de substituição. O Ministério da Educação, que tutela cerca de 150 mil professores, colocou 2400 profissionais na semana anterior e prepara a colocação de mais milhares nos próximos dias para atenuar as falhas.
Fernando Alexandre admite que a pasta é uma das mais exigentes do Governo, mas recusa a inércia. O ministro descreve um setor “parado no tempo” e limitado por sistemas de informação obsoletos, que pretende modernizar. O plano de ação inclui uma forte aposta nas infraestruturas: nos últimos dois anos foram edificadas 87 escolas, existindo um orçamento de mil milhões de euros destinado à reabilitação de outras 200 instalações. O objetivo é claro para o governante: romper com décadas de estagnação e alinhar a educação portuguesa com as melhores práticas internacionais.









