O sistema de acolhimento em Portugal encerrou o ano de 2025 com 828 crianças e jovens institucionalizados há pelo menos seis anos. O Relatório de Caracterização Anual da Situação de Acolhimento das Crianças e Jovens (CASA) revela que, embora o número absoluto de menores nestas condições tenha baixado face aos 873 registados em 2024, a percentagem global mantém-se teimosa. Representam atualmente 16,7% do total de acolhidos em casas generalistas, uma descida marginal perante os 16,9% do período anterior.
Apesar da ausência de uma justificação clara no documento para esta permanência prolongada, o retrato do sistema é feito de contrastes temporais. Enquanto 1.389 crianças iniciaram o seu percurso nas instituições há menos de doze meses, uma fatia considerável — 27,7% do total — habita nestas estruturas há quatro ou mais anos. O tempo médio de permanência fixou-se nos 2,8 anos.
O universo total de crianças e jovens em situação de acolhimento atingiu os 6.120 em 2025, menos 229 face ao ano anterior. A distribuição por tipo de resposta revela a predominância do acolhimento residencial, com 4.964 menores, seguido por 459 em famílias de acolhimento, 358 em apartamentos de autonomização e 339 noutras modalidades especializadas. É notável o crescimento de 27,1% no acolhimento familiar, embora este formato ainda represente uma parcela reduzida quando comparado com os 92,5% das situações de acolhimento residencial.
Quanto ao futuro traçado para estes jovens, a reintegração na família nuclear continua a ser o objetivo prioritário, abrangendo 44,6% dos projetos de promoção e proteção. Segue-se a autonomização, com 31,6% dos casos, e a adoção, que representa 9,9%. Os projetos de acolhimento permanente, por sua vez, registaram uma subida de 5%, totalizando 272 processos, contrariando a tendência de descida no número total de crianças institucionalizadas.
A análise estatística indica uma quebra de 11% nos acolhimentos com duração entre quatro e cinco anos. Contudo, para perto de 800 jovens, a casa de acolhimento continua a ser a sua única morada desde, pelo menos, metade da década de 2010, evidenciando um desafio persistente na celeridade das respostas do sistema.







