Segundo o chefe da Nação, Portugal teve pontualmente “grandes diferenças quanto a aspetos da estratégia norte-americana”.
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, afirmou nesta quarta-feira que não tem novos comentários a acrescentar às suas declarações sobre o líder dos EUA, Donald Trump, e reiterou estar em sintonia com o Executivo no suporte à Ucrânia.
Ao ser questionado por repórteres à saída da Fundação Champalimaud, em Lisboa, Marcelo declarou que já havia “dito tudo o que precisava” ao afirmar que Trump atuou como “ativo soviético, ou russo”, explicando que essa avaliação não tinha ligação pessoal, comercial, social, política ou ideológica.
“Foi da forma mais diplomática possível. Apenas referi: observem isto, acontece, acontece. Acontece porque, fruto das estratégias adotadas, são escolhas que geram este desfecho. Este desfecho tem repercussões, e a principal é que há oito meses aguardamos um cessar-fogo e um avanço mais célere rumo à paz”, completou.
Questionado sobre as consequências de suas palavras – que motivaram o Governo a recordar que cabe a ele conduzir a diplomacia – Marcelo respondeu: “Nada a acrescentar. O que disse, está dito”.
Referiu ainda que não foi a primeira vez que abordou o tema, citando ocasiões anteriores, inclusive um discurso perante o Presidente francês Emmanuel Macron, no qual este teria concordado com sua análise.
Sobre a articulação com o Governo PSD/CDS-PP, Marcelo destacou que “o Executivo conduz a política externa” e que, sempre que possível, há coordenação de posições.
“E aqui a convergência era simples: quanto maior a união da aliança no caso da Ucrânia, melhor para a Ucrânia; quanto menor, pior”, afirmou.
Marcelo frisou que “houve momentos históricos em que chefes de Estado divergiram de Governos” em temas internacionais, “mas não é o caso atual”.
Questionado sobre eventual crise diplomática, o Presidente sublinhou a longevidade das relações bilaterais entre Portugal e os Estados Unidos, descrevendo-as como “profundas e históricas”, e lembrou que Portugal foi “o primeiro país neutro a reconhecer a independência” americana.
Acrescentou que, ao longo do tempo, “governos mudam, presidentes mudam, direções mudam, tanto lá como cá”, mas isso não afeta a relação entre os países, apenas a afinidade com determinadas políticas.
Há uma semana, em evento na Universidade de Verão do PSD, em Castelo de Vide, Marcelo havia declarado que Trump atua objetivamente como “ativo soviético, ou russo”, favorecendo estrategicamente a Federação Russa na guerra contra a Ucrânia.










