Ancara, Turquia – À chegada à capital turca para uma reunião de alto nível da NATO, Luís Montenegro escolheu sublinhar uma evidência geográfica que define a política externa portuguesa: a importância vital do Atlântico. O Primeiro-Ministro não se limitou a marcar presença; aproveitou o palco de Ancara para reforçar que o país encara a segurança marítima não apenas como um compromisso coletivo, mas como um pilar estratégico que exige atenção contínua e meios adequados.
O discurso do governante foi acompanhado por um indicador de peso. Ao fechar o ano de 2025 com 2,01% do Produto Interno Bruto (PIB) alocado ao setor da defesa, Portugal atingiu uma marca que lhe fugia desde 2014. O esforço financeiro, que supera agora o patamar exigido pelos aliados, serve, segundo Montenegro, como prova de que o Estado português não apenas reconhece as suas obrigações, mas tem capacidade para as cumprir na prática. Esta trajetória de investimento reflete-se, igualmente, na presença de militares nacionais em missões na Lituânia, Eslováquia e Roménia.
A urgência do apoio à Ucrânia e o futuro da unidade aliada
A agenda desta cimeira não permite desvios. Para além de questões orçamentais, o foco dos chefes de Estado e de Governo recai sobre o reforço do pilar europeu da Aliança e na manutenção da coesão interna. O artigo 5.º do Tratado do Atlântico Norte — a base da defesa mútua — surge como o tema central num momento em que a instabilidade internacional obriga a sinais claros de união. O apoio à Ucrânia, que deve manter-se sólido nos planos político, económico e militar, permanece no topo da lista de prioridades discutidas.
Integridade territorial em debate
Entre reuniões formais, as tensões diplomáticas também encontraram espaço. Questionado sobre as declarações do presidente norte-americano Donald Trump a respeito da Gronelândia, Luís Montenegro foi pragmático. Reiterou a solidariedade de Portugal para com a Dinamarca, sublinhando que a integridade territorial é um princípio inegociável. Para o Primeiro-Ministro, não faz qualquer sentido exigir respeito pelo território a entidades externas se, dentro da própria Aliança, essa premissa não for guardada com o rigor absoluto que a estabilidade global reclama.











