Ancara, Turquia – A recente cimeira da NATO, que decorreu em Ancara nos dias 7 e 8 de julho, serviu como palco para consolidar a coesão entre os países membros da Aliança Atlântica. Durante o encontro, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, sublinhou que a reunião foi um sucesso diplomático, evidenciando uma articulação reforçada entre os parceiros da América do Norte e da Europa face ao cenário de instabilidade geopolítica global que se vive atualmente.
Um dos pontos fulcrais debatidos pelos líderes presentes foi a necessidade imperativa de elevar o investimento no setor da defesa. De acordo com o governante português, este incremento orçamental é fundamental para capacitar a estrutura da Aliança a responder com maior eficácia aos novos desafios de segurança, sendo o apoio direto à Ucrânia o exemplo mais premente desta prioridade coletiva. Para o primeiro-ministro, a assistência a Kiev permanece um pilar indispensável na preservação dos valores democráticos e na manutenção da estabilidade do continente europeu.
Para além do apoio ao Leste europeu, a cimeira enfatizou a importância de uma abordagem abrangente à segurança, abrangendo uma visão de 360 graus. Este conceito inclui uma atenção redobrada ao flanco sul e à salvaguarda da segurança marítima. A proteção de infraestruturas estratégicas, nomeadamente a rede de cabos submarinos que assegura as comunicações vitais entre a Europa e o território norte-americano, foi identificada como uma prioridade que exige vigilância constante.
A declaração final da cimeira destacou também a indústria de defesa como um setor estratégico de elevada importância. Foi ainda sublinhado o papel relevante das pequenas e médias empresas neste ecossistema. Para a economia portuguesa, este investimento em defesa não é apenas uma obrigação militar, mas também um motor para estimular a inovação, potenciar o desenvolvimento tecnológico, gerar postos de trabalho altamente qualificados e aumentar a competitividade nacional no mercado internacional.
No âmbito da diplomacia bilateral, Portugal viu o seu esforço ser reconhecido pelo secretário-geral da NATO, Mark Rutte. O responsável pela organização elogiou a fiabilidade dos compromissos assumidos por Lisboa, que, em 2025, atingiu pela primeira vez desde 2014 a meta de aplicar 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em despesas de defesa, uma subida expressiva de 38% comparativamente ao período homólogo.
O plano do executivo para o próximo ano é ambicioso, prevendo que o investimento total suba para cerca de 3,1% do PIB em 2026. Este montante irá englobar não só os gastos militares diretos, mas também investimentos com dupla finalidade — civil e militar — garantindo que o país cumpre rigorosamente os objetivos delineados com os seus aliados. No mesmo exercício, Portugal compromete-se a igualar o apoio financeiro e militar prestado à Ucrânia, incluindo a integração no Programa de Apoio à Defesa Antiaérea, ao qual alocará aproximadamente 50 milhões de euros.











