O Partido Social Democrata decidiu traçar uma linha vermelha. Nos gabinetes da sede nacional, a ordem é clara e não deixa margem para interpretações: não haverá abertura para discutir novas iniciativas ligadas à regionalização do território continental. A decisão, que surge num momento de alguma ebulição interna, ignora deliberadamente os insistentes pedidos de dirigentes locais e de várias estruturas distritais que reclamam uma maior autonomia na gestão de recursos e competências.
Esta postura, que coloca o partido num impasse com as suas próprias bases, reflete uma estratégia de contenção. A cúpula do PSD receia que qualquer avanço nesta matéria possa abrir uma caixa de Pandora, desestabilizando o atual modelo de administração centralizada e criando tensões desnecessárias com os parceiros de coligação e com a oposição. Para o largo de São Sebastião, o tema é, neste momento, um custo político que ninguém parece disposto a assumir.
Há quem, dentro da bancada parlamentar, questione a eficácia desta paralisia. Nos corredores da Assembleia da República, ouvem-se críticas sobre o desfasamento entre o discurso de proximidade defendido nos períodos eleitorais e a inação prática sobre a organização do Estado. As vozes dissonantes lembram que o país, com as suas assimetrias profundas, precisa de ferramentas de governação que não fiquem presas ao centralismo lisboeta.
Contudo, a disciplina partidária permanece intocável. As propostas que tentavam forçar um debate sobre a criação de regiões administrativas acabaram por ser gavetadas sem grandes cerimónias. O que resta é uma sensação de oportunidade perdida para aqueles que viam na regionalização o remédio para o abandono das zonas do interior. Por enquanto, o mapa administrativo continua intocável e o PSD, ao recusar o confronto com o tema, escolhe manter o status quo, protegendo-se de divisões internas, mas alimentando, ao mesmo tempo, um descontentamento que não mostra sinais de desaparecer.










