O ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, escusou-se esta sexta-feira a comentar um eventual envio de militares portugueses para a Gronelândia, afirmando não ter mandato para se pronunciar sobre essa matéria e remetendo qualquer decisão para o Conselho Superior de Defesa Nacional.
“As missões em que as forças portuguesas intervenham são sempre discutidas no Conselho Superior de Defesa Nacional, que é convocado pelo Presidente da República. Logo, a questão não se põe”, afirmou o governante, em declarações aos jornalistas após uma cerimónia de juramento de bandeira em Évora.
Questionado sobre a possibilidade de Portugal integrar uma missão no âmbito da NATO, Nuno Melo reiterou que, enquanto ministro da Defesa, não lhe compete antecipar ou comentar esse cenário.
O tema surge num contexto de crescente tensão internacional, depois de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter reiterado a intenção de assumir o controlo da Gronelândia. Em resposta, países como França, Alemanha, Suécia, Noruega, Finlândia e Países Baixos anunciaram disponibilidade para integrar uma missão militar europeia na ilha, em apoio à Dinamarca.
Nuno Melo recordou que a Gronelândia é uma região autónoma da Dinamarca, com um estatuto específico, sublinhando que o seu futuro “pertence ao povo da Gronelândia e ao povo dinamarquês”. “O que esperamos é que os aliados se comportem como aliados”, acrescentou, numa referência indireta às posições assumidas por Washington, apesar de os EUA serem um dos membros fundadores da NATO.
Sobre a cerimónia militar realizada em Évora, que reuniu cerca de 500 militares, o ministro destacou tratar-se de “um dos maiores juramentos de bandeira dos últimos anos” e aproveitou para salientar a inversão da tendência de quebra no recrutamento.
“Depois de 15 anos com números sempre a cair, conseguimos inverter esse ciclo”, afirmou, apontando um aumento de cerca de 13,5% no número de recrutas do Exército. Segundo Nuno Melo, Portugal conta atualmente com quase 24 mil militares, face aos cerca de 22 mil existentes quando iniciou funções, em abril de 2024.
O governante sublinhou ainda que o crescimento se verifica nos três ramos das Forças Armadas e defendeu a necessidade de manter o investimento para que esta evolução seja sustentável. Mantendo-se o atual ritmo, estimou, Portugal poderá atingir, a médio prazo, um efetivo próximo dos 30 mil militares.
Entretanto, esta semana, os ministros dos Negócios Estrangeiros da Dinamarca e da Gronelândia reuniram-se na Casa Branca com responsáveis da administração norte-americana. No final do encontro, Copenhaga admitiu a existência de uma “divergência fundamental” com os EUA, reconhecendo que Donald Trump mantém o desejo de controlar a Gronelândia, território autónomo dinamarquês situado no Ártico, com cerca de 50 mil habitantes.











