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Home Ciência

O ruído a que somos expostos no dia-a-dia pode aumentar a probabilidade de ter Alzheimer

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
13 de Novembro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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CooperB333 / Flickr

Um estudo recente publicado na Associação de Alzheimer revelou que a probabilidade de desenvolver a doença aumenta em 36% quando estamos sujeitos a níveis de ruído diário dez decibéis mais elevados do que a média utilizada na investigação.

A doença de Alzheimer e outras formas de demência afetam milhões de adultos em todo o mundo e investigações realizadas anteriormente já identificaram factores de risco, como a genética, a educação e a poluição do ar. Agora, vários estudos apontam o ruído como outra influência no risco de demência.

“Continuamos nos estágios iniciais de investigação da relação entre o ruído e a demência, mas até agora os sinais sugerem que devemos prestar mais atenção à possibilidade de o ruído afetar o risco cognitivo à medida que envelhecemos”, diz Jennifer Weuve, uma das autoras do estudo, da Escola de Saúde Pública da Universidade de Boston, nos EUA.

“Se se provar que isso é verdade, podemos usar políticas e outras intervenções para reduzir os níveis de ruído experenciados por milhões de pessoas”, explicou.

Há mais de quatro décadas, a Agência de Proteção Ambiental dos EUA definiu diretrizes do nível de ruído na comunidade, mas “essas diretrizes foram definidas para proteger as pessoas contra a perda auditiva. Muitos de nossos participantes foram expostos a níveis muito mais baixos” e isso afetou a capacidade cognitiva de qualquer forma, disse Weuve.

O estudo publicado no fim de outubro incluiu 5.227 idosos que participaram no Chicago Health and Aging Project – iniciativa que acompanhou 10.802 indivíduos com 65 anos ou mais do South Side de Chicago desde a década de 1990.

Os participantes foram entrevistados e a sua função cognitiva testada em ciclos de três anos, tendo em conta a média dos níveis de ruído da vizinhança – a qual foi calculada através de um estudo da área de Chicago que reuniu amostras de ruído A-weighted (as frequências que são importantes para a audição humana) em 136 locais durante o dia.

No novo estudo, foi analisada a relação entre a função cognitiva dos participantes e os níveis de ruído do sítio onde viveram durante 10 anos. Além disso, tiveram em conta a data de nascimento, sexo, raça, nível de educação, renda familiar, consumo de álcool, tabagismo, atividade física e condição socioeconómica da zona residencial.

De acordo com a Futurity, a investigação descobriu que as pessoas que viviam em locais com 10 decibéis a mais de ruído durante o dia tinham 36% mais probabilidade de ter algum problema cognitivo leve e 30% mais probabilidade de ter Alzheimer.

O único outro factor que terá afetado a relação entre o nível de ruído e os problemas cognitivos foi o nível socioeconómico do bairro – os residentes de locais com baixo nível socioeconómico mostravam uma associação mais forte entre eles.

“Estas descobertas sugerem que nas comunidades urbanas típicas dos EUA, os níveis mais elevados de ruído podem afetar o cérebro de adultos mais velhos e dificultar o seu funcionamento sem assistência”, disse Sara D. Adar, autora do estudo e professora associada de epidemiologia na Escola de Saúde Pública da Universidade de Michigan.

Adar considera ainda que esta será uma descoberta importante, já que milhões de pessoas são afetadas por elevados níveis de ruído.

“Embora os níveis de ruído não tenham recebido muita atenção nos Estados Unidos até agora, há uma oportunidade de saúde pública aqui, visto que há intervenções que podem reduzir a exposição tanto a nível individual quanto populacional”, disse.


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