Atenas, Grécia – O Primeiro-Ministro português, Luís Montenegro, cumpriu uma agenda oficial em Atenas focada na consolidação de uma frente comum com o governo grego, liderado por Kyriákos Mitsotákis. Este encontro, que quebra um hiato de dez anos sem deslocações oficiais de um chefe de governo de Portugal à capital helénica, teve como principal objetivo o estreitamento de laços em setores vitais para o desenvolvimento económico e a estabilidade regional. Entre as áreas de cooperação imediata destacam-se a energia, a inovação tecnológica, a proteção civil e a defesa nacional.
Convergência financeira e competitividade
Durante as reuniões de trabalho, Luís Montenegro enfatizou que Portugal e a Grécia partilham atualmente modelos de gestão que equilibram o rigor das finanças públicas com a manutenção da qualidade dos serviços públicos essenciais. De acordo com o governante, ambos os países são hoje centros de atração de investimento direto estrangeiro, o que exige uma estratégia concertada para aumentar a competitividade das respetivas economias. Esta sintonia deverá refletir-se, segundo a visão apresentada, na defesa de um Quadro Financeiro Plurianual da União Europeia que seja, simultaneamente, ambicioso, solidário e capaz de reduzir os entraves burocráticos que limitam o crescimento dos Estados-Membros.
Indústria de defesa e cooperação tecnológica
No domínio da segurança e defesa, foi reafirmada a importância da NATO e a necessidade de aumentar a interoperabilidade entre as forças militares europeias. A discussão passou também pela dinamização da indústria de defesa como motor para a criação de empregos qualificados e para a valorização da investigação científica. Um exemplo concreto desta colaboração é o interesse grego na aquisição de aeronaves KC-390, desenvolvidas pela Embraer com uma componente significativa da indústria aeronáutica portuguesa. Esta aposta no conhecimento tecnológico visa não apenas a soberania militar, mas também o avanço da inovação industrial nos dois países.
Coesão e política externa europeia
Portugal e a Grécia mantêm uma posição de proximidade no que toca aos pilares fundamentais da política europeia, como a Política Agrícola Comum e os instrumentos de coesão. Ambos os chefes de governo sublinharam a necessidade de conciliar estes apoios tradicionais com novos investimentos em inovação. No plano externo, o alinhamento é total em questões de segurança marítima e na manutenção do apoio continuado à Ucrânia perante o conflito atual. Foi ainda discutida a segurança das rotas marítimas, uma preocupação central para ambas as nações, devido à sua vocação histórica de economias abertas ao mar.
Cooperação internacional e gestão de fronteiras
A colaboração institucional entre Lisboa e Atenas estende-se também à gestão das fronteiras externas do espaço europeu, com ambos os países a reafirmar o empenho operacional no âmbito da agência Frontex. Além disso, Luís Montenegro manifestou o seu agradecimento pela disponibilidade grega em partilhar conhecimentos e experiência acumulada durante o seu mandato no Conselho de Segurança da ONU. Esta partilha de saber será relevante para Portugal, que assumirá em breve uma posição de membro não permanente naquele órgão internacional, reforçando assim a influência diplomática de ambos os Estados no cenário global.











