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Home Economia

“Perplexo” com crimes do primo Salgado, Ricciardi critica “idiotas” que o acusam e estranha Novo Banco

Redação O Tablóide por Redação O Tablóide
16 de julho de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Richter Frank-Jurgen / Flickr

José Maria Ricciardi, antigo presidente do Banco Espírito Santo de Investimento (BESI) e primo de Ricardo Salgado, diz que “esperava este resultado” no processo judicial em torno do BES, com a acusação de 25 pessoas, mas assume que não imaginava que “a situação fosse tão má”.

“Esperava este resultado”, considera José Maria Ricciardi em entrevista ao Dinheiro Vivo, notando, contudo, que ficou “absolutamente impressionado com a dimensão” dos crimes imputados a Ricardo Salgado e a outros 24 arguidos do processo BES.

Ricciardi é testemunha de acusação do Ministério Público (MP) e refere que continua “perplexo com a dimensão e profundidade das fraudes e crimes que estão alegadamente em causa”.

O antigo dirigente do BESI nota que tinha “razão” quando em 2013 propôs a “substituição de Ricardo Salgado” à frente do Banco e “a alteração do governo do grupo”. Mas “não imaginei que a situação fosse tão má“, afiança.

“O grupo não tinha escrutínio nem tinha “checks and balances” (separação de poderes). Havia movimentos de capitais e não eram controlados. Ricardo Salgado tentou colocar na opinião pública a ideia de que se tratava de uma luta de poderes e que eu só queria ocupar o seu lugar, o que é absolutamente falso”, diz ainda Ricciardi.

Quanto aos que “dizem que [ele] devia saber o que se passava no grupo por estar dentro dele”, Ricciardi aponta que “são uns verdadeiros idiotas”. “Se o MP, com os meios de investigação que tem e a colaboração da CMVM [Comissão de Mercado de Valores Mobiliários] e do Banco de Portugal, leva 6 anos a investigar, era eu que ia descobrir isto?”, questiona em jeito de crítica.

Mas Ricciardi está certo de que “se se tivesse feito algo em 2013, muita gente que foi prejudicada” não o teria sido e “muito provavelmente podia ter-se minorado os danos“, salienta na entrevista.

Sobre a situação do Novo Banco que continua a apresentar prejuízos sucessivos e a necessitar de injecções de capital de dinheiros públicos, Ricciardi considera que “o que se passou com o BES não explica estas incongruências”.

“Quando o Novo Banco foi criado e nos anos seguintes as contas foram aprovadas sem reservas acerca das imparidades. Com a venda à Lone Star tudo se modificou. Ainda para mais, a economia cresceu e o sector imobiliário recuperou, pelo que os activos que estavam no Novo Banco valorizaram”, realça, concluindo que, “no mínimo, o que se passa é um bocadinho difícil de explicar“.

Novo Banco suspende 4 trabalhadores acusados no processo BES

Entretanto, o Novo Banco tomou a decisão de suspender 4 trabalhadores que foram acusados no processo de Salgado, conforme avança o Expresso.

A instituição não identifica os funcionários alvo da suspensão temporária e o semanário reforça que não foi possível concluir quais são.

A suspensão durante três semanas visa “fazer uma análise sobre os fundamentos da acusação, de forma a perceber se os quadros são adequados para as funções que desempenham”, nota o Expresso, considerando que é, basicamente, “uma avaliação” para aferir se “podem continuar no banco”.


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