Questionado sobre se entendia os apoios como suficientes, Gonçalo Lopes afirmou que “têm uma orientação positiva”. O presidente da Câmara Municipal de Leiria considerou esta segunda-feira que as iniciativas anunciadas pelo Governo para apoiar a recuperação após o mau tempo representam um avanço importante e esperado, defendendo simultaneamente clareza e planeamento.
“A meu ver, foi um passo significativo, que era necessário. Aquilo que percebemos desde o primeiro momento é que, de facto, o cenário de Leiria e da região se transformou profundamente: não foram apenas árvores derrubadas, houve telhados arrancados, escolas encerradas, um quadro verdadeiramente devastador”, afirmou Gonçalo Lopes.
O Conselho de Ministros aprovou no domingo um conjunto de apoios que poderá chegar aos 2,5 mil milhões de euros para responder aos danos causados pela depressão Kristin, contemplando famílias, empresas e entidades públicas.
Em declarações aos jornalistas, nos Bombeiros Sapadores de Leiria, onde o município instalou um centro de coordenação, o autarca sublinhou que, felizmente, se conseguiu que “essa realidade fosse reconhecida”, reiterando que “antes tarde do que nunca”.
“Confirmou-se aquilo que disse desde o início: era preciso declarar o estado de calamidade, era necessário colocar rapidamente pessoas no terreno e avançar com ações concretas”, afirmou.
O presidente da câmara destacou ainda a recolha e distribuição de cerca de 100 toneladas de plásticos e lonas, uma ação que classificou como “simples”, mas que “durante a noite salvou muitas habitações e protegeu património de empresas e particulares”.
“Se isso não tivesse sido feito, hoje a situação seria muito mais grave.”
Voltando a ser questionado sobre a suficiência das medidas, o socialista Gonçalo Lopes reiterou que “têm um bom enquadramento”.
“Não consigo ainda aferir toda a dimensão dos apoios nem a forma como serão distribuídos. Sei que existem destinatários definidos com os quais me identifico”, referiu, apontando o património público, as famílias e as empresas, e reforçando a importância de transparência e organização nos critérios adotados.
Desde a semana passada, nove pessoas morreram na sequência do mau tempo. A Proteção Civil contabilizou cinco óbitos diretamente associados à depressão Kristin, enquanto a Câmara da Marinha Grande confirmou uma outra vítima mortal, a que se juntaram posteriormente três mortes relacionadas com quedas de telhados durante reparações ou intoxicação provocada por um gerador.
A destruição total ou parcial de habitações, empresas e equipamentos, a queda de árvores e estruturas, os cortes ou condicionamentos de estradas e serviços de transporte — sobretudo ferroviários —, o encerramento de escolas e as falhas de energia, água e comunicações figuram entre os principais danos materiais do temporal, que provocou ainda centenas de feridos e desalojados.
Leiria, Coimbra e Santarém são os distritos mais afetados.
O Governo decretou a situação de calamidade até ao próximo domingo para 69 municípios e anunciou um pacote de apoios que pode atingir os 2,5 mil milhões de euros.










