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Home Economia

Só o Governo prevê uma aceleração em 2020. OCDE também está pouco otimista (e deixa um conselho a Centeno)

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
21 de Novembro de 2019
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José Sena Goulão / Lusa

O ministro das Finanças, Mário Centeno

A economia portuguesa vai abrandar nos próximos anos, segundo antecipa a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE).

No Economic Outlook publicado esta quinta-feira, as previsões para a economia nacional aponta para um crescimento de 1,9% este ano, 1,8% em 2020 e 1,7% em 2021.

A OCDE junta-se às principais organizações nacionais e internacionais, que, em menor ou maior grau, projetam um abrandamento da economia nacional em 2020. A única voz dissonante é a do Governo. No esboço orçamental enviado para Bruxelas, em outubro, a equipa do Ministério das Finanças projeta uma aceleração do ritmo de expansão do Produto Interno Bruto no próximo ano, para 2%.

A OCDE destaca, de acordo com o semanário Expresso, que “a procura interna é o principal impulsionador do crescimento económico”. O documento constata que, apesar do aumento da incerteza sobre as condições externas e tensões comerciais, “os indicadores de confiança para os serviços, consumidores e construção estabilizaram, indicando alguma resiliência em relação a desenvolvimentos externos negativos”.

A OCDE melhorou ligeiramente a sua previsão para o crescimento da economia portuguesa este ano, de 1,8%, para 1,9%. A projeção da OCDE está, assim, alinhada com a maioria das organizações nacionais e internacionais.

Já em relação aos próximos anos, a expetativa da OCDE é de abrandamento em 2020, ainda que ligeiro, com a economia a voltar a abrandar em 2021. A razão: o consumo privado. “Apesar da baixa inflação e condições financeiras acomodatícias, o crescimento dos gastos das famílias deverá abrandar devido a alguma moderação no crescimento do emprego e à estabilização do crescimento dos salários”, lê-se no relatório.

A organização está mais conservadora nas suas perspetivas sobre a evolução do mercado de trabalho, nomeadamente no que toca à descida da taxa de desemprego. Em maio, apontava para uma taxa de desemprego em Portugal de 6,3% este ano, recuando para os 5,9% em 2020. Agora, aponta para 6,5% este ano, seguindo-se descidas ligeiras para 6,4% em 2020 e 6,3% em 2021.

O investimento também deverá perder gás, mas a OCDE antecipa uma aceleração em 2021.

A OCDE antecipa que o crescimento na zona euro permaneça modesto, “com poucas perspetivas de uma recuperação ao longo dos próximos dois anos”. A continuação da incerteza por causa do Brexit é um dos fatores, uma  vez que pode afetar o comércio e o turismo e a vulnerabilidade da banca a choques financeiros, devido aos ainda elevados níveis de crédito mal parado.

Quanto às contas públicas, a OCDE está alinhada com o Governo: um défice de 0,1% este ano, sinalizando uma situação de equilíbrio orçamental em 2020.

A OCDE deixa um conselho ao ministro das Finanças, Mário Centeno: “Aumentar a eficiência da despesa pública vai suportar a constituição de almofadas orçamentais para enfrentar choques inesperados e o impacto orçamental do envelhecimento populacional”.

Crescimento mais baixo desde a crise financeira global

No plano internacional, a OCDE reviu em baixa o crescimento mundial, acreditando agora que nos próximos anos o PIB planetário vai aumentar em torno dos 3%. O valor é o mais baixo desde a crise financeira global, de acordo com a TSF.

Espanha, principal parceiro comercial português, vai crescer 1,6% em 2020 e em 2021. A Alemanha, motor da economia europeia, vai ter evoluções muito modestas, de 0,4 e 0,9%. No conjunto da zona euro a subida será de 1,2% em 2021. Nesse ano, a economia dos Estados Unidos vai abrandar para 2%. A China vai crescer 5,5%, o Japão 0,7%.

A OCDE culpa às tensões comerciais, escrevendo que desde o início da crise o protecionismo já levou à implementação de mais de 1.500 restrições ao comércio internacional, e à falta de estratégia política no combate a problemas que já se tornaram estruturais, como a digitalização e o combate às alterações climáticas, explicando que os fenómenos naturais extremos podem ter consequências económicas graves.

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