O presidente do Chega, André Ventura, acusou o Governo de apresentar um plano de resposta às tempestades sem medidas concretas nem calendarização definida, considerando que o primeiro-ministro revelou incompreensão face ao sofrimento das populações afetadas.
As críticas surgem após o anúncio de Luís Montenegro de que a versão final do programa Portugal Transformação, Recuperação e Resiliência (PTRR) deverá ser aprovada no início de abril, ficando o envelope financeiro dependente de auscultação nacional.
“Plano para oito anos num país devastado há oito dias”
Em conferência de imprensa na sede do Chega, Ventura afirmou que o documento aprovado em Conselho de Ministros não contém medidas operacionais nem prazos claros de execução.
“Neste plano do Governo não há uma medida em concreto. Estamos perante uma falta de calendarização absoluta. Um plano para oito anos num país que acabou de ser devastado há oito dias é uma vergonha.”
O líder do Chega defendeu que o executivo deveria reformular o plano após ouvir autarcas, incluindo os eleitos pelo PSD, e apresentar respostas imediatas para apoiar famílias e empresas afetadas.
Exigência de respostas imediatas
Ventura argumentou que a dimensão da destruição — que estimou entre cinco e seis milhões de euros — exigiria medidas urgentes e claramente identificadas. Segundo o dirigente partidário, continuam a existir:
- Pessoas sem habitação;
- Empresas e fábricas danificadas;
- Explorações agrícolas e caminhos bloqueados;
- Infraestruturas locais comprometidas.
Acrescentou ainda que o Governo não clarificou quem será responsável pela execução do plano, questionando a articulação entre:
- Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional;
- Autarquias;
- Juntas de freguesia;
- Ministérios como Administração Interna ou Coesão Territorial.
Acusação de “propaganda”
O presidente do Chega considerou que o anúncio do PTRR se traduziu num “exercício de propaganda”, classificando-o como um “anúncio de powerpoints” sem substância executiva imediata.
Apesar das críticas, Ventura adiantou que, no encontro que terá com o Governo, apresentará propostas que considera concretas para mitigar os prejuízos causados pelas recentes tempestades.
O executivo, por sua vez, tem defendido que a metodologia adotada privilegia um levantamento rigoroso de danos antes da definição do montante global e da distribuição de verbas, num programa estruturado em curto, médio e longo prazo.










