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Home Ciência

Em 1110, a Lua desapareceu misteriosamente do céu (e já se sabe porquê)

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
7 de Maio de 2020
Reading Time: 3 mins read
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Em 5 de maio de 1110, a Lua “abandonou” o céu. Nessa noite, ocorreu um eclipse lunar que foi registado na “Crónica Anglo-Saxónica”, uma série de manuscritos compilados em inglês antigo. Porém, em vez de ficar vermelha, a Lua desapareceu.

Segundo o jornal espanhol ABC, que cita os textos antigos, o céu estava limpo – “não havia luz, orbe e nada”. Porém, um véu de poeira cobria a Europa.

O fenómeno que impressionou os contemporâneos do início do século XII pode ter agora uma explicação. Investigadores da Universidade de Genebra acreditam que, nessas datas, pelo menos duas erupções vulcânicas escureceram o céu, fazendo com que as temperaturas no hemisfério norte caíssem cerca de 1°C.

O paleoclimatologista Sébastian Guillet e a sua equipa estudaram núcleos de gelo na Gronelândia e Antártida. Esses núcleos retêm os aerossóis de sulfato e cinza que são lançados na atmosfera durante as erupções e, depois, pousam na neve.

De acordo com o estudo publicado esre mês na revista científica Science, os cientistas verificaram a existência de vários picos de sulfato: um no núcleo antártico em 1109 e vários nos núcleos de gelo da Gronelândia de 1108 a 1113.

Alguns cientistas acreditam que os picos são consistentes com a erupção de um vulcão gigantesco nos trópicos por volta de 1108, o que causaria chuvas de aerossol em todo o mundo durante vários anos.

Como a datação precisa de núcleos de gelo é muito complicada, os cientistas decidiram seguir outra pista que poderia corroborar a sua descoberta e analisaram os anéis de árvores da América do Norte, Europa e Ásia. As árvores desenvolvem anéis mais finos em climas mais frios e mais espessos nos mais quentes. Dessa forma, descobriram que 1109 estava aproximadamente 1°C mais frio do que o normal. Uma erupção vulcânica pode ter sido a culpada, uma vez que as partículas suspensas na atmosfera bloqueiam a luz solar e arrefecem o planeta.

A equipa reviu 17 manuscritos europeus e do Oriente Próximo que referenciaram eclipses lunares que ocorreram entre 1100 e 1120. Durante um eclipse lunar total, a Lua parece avermelhada por causa da forma como a luz solar se infiltra através da atmosfera do planeta. Porém, os aerossóis vulcânicos podem bloquear a luz do sol e obscurecer os eclipses lunares.

Os investigadores encontraram um texto referente a um eclipse lunar anormalmete escuro em 5 de maio de 1110. Isso coincide com pelo menos uma erupção que ocorreu por volta de 1108, registrada nos núcleos de gelo, e provavelmente no Monte Asama de Japão em agosto daquele ano.

“As suas partículas poderiam ter atingido a Gronelândia, mas provavelmente não a Antártida. A circulação atmosférica torna muito difícil que erupções localizadas em altas latitudes atravessem os trópicos”, disse Guillet.

Uma única grande erupção nos trópicos, como sugeriram alguns cientistas, teria os mesmos problemas de circulação. Isso significa que pelo menos um outro vulcão precisou de acordar aproximadamente ao mesmo tempo. Porém, a equipa ainda não sabe onde poderá ter ocorrido.

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