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Home Editorias Ciência

Estudo mostra ligação entre menstruação irregular e morte prematura

Redação O Tablóide Por Redação O Tablóide
11 de outubro de 2020
Reading Time: 3 mins read
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fabiozenoardo / Flickr

Um estudo feito durante 24 anos com cerca de 80 mil enfermeiras saudáveis, nos Estados Unidos, forneceu algumas das primeiras evidências reais sobre menstruação irregular e morte prematura.

De acordo com a pesquisa longitudinal, as pessoas que têm ciclos menstruais longos e irregulares na adolescência e durante a vida adulta têm maior probabilidade de morrer antes dos 70 anos, em comparação com aquelas com ciclos mais curtos e regulares, conta o site Science Alert.

No início do estudo, em 1989, foi pedido às enfermeiras que relembrassem os seus ciclos menstruais durante a adolescência (entre os 14 e os 17 anos) e no início da idade adulta (entre os 18 e os 22).

Em 1993, o mesmo grupo foi questionado sobre a duração usual e a regularidade dos seus ciclos menstruais naquela altura, quando tinham entre 29 e 46 anos.

Nas faixas etárias mais velhas, as mulheres que tiveram ciclos menstruais de mais de 40 dias tinham maior probabilidade de morrer prematuramente do que aquelas que relataram um ciclo mais típico de 26 a 31 dias.

Segundo o mesmo site, isto foi particularmente forte entre enfermeiras que tiveram ciclos irregulares contínuos na adolescência e no início da idade adulta, e também entre aquelas que fumavam.

Além disso, a maioria das enfermeiras neste estudo eram mulheres brancas com a mesma profissão, que se traduz num horário de trabalho irregular, o que pode afetar a saúde a longo prazo e interromper a regularidade menstrual.

“Descobrimos que o risco de mortalidade prematura era maior entre as mulheres que relataram ciclos longos ou irregulares mais tarde na sua vida”, escreveram os autores do estudo publicado, a 30 de setembro, na revista científica BMJ.

“Estas relações também eram mais fortes quando os ciclos longos e irregulares estavam consistentemente presentes durante a adolescência e a idade adulta”, acrescentam.

Mesmo tendo em conta outros fatores, como idade, peso, estilo de vida e histórico médico familiar, os resultados foram os mesmos, embora os autores observem que não podem ter a certeza de que não perderam outros fatores contribuintes.

Jacqueline Maybin, investigadora e ginecologista da Universidade de Edimburgo, na Escócia, afirma que os métodos do estudo são sólidos e os resultados importantes, mas alerta: mulheres com períodos irregulares não têm razão para entrar em pânico.

“É importante lembrar que a menstruação irregular é um sintoma e não um diagnóstico. Portanto, uma causa subjacente específica da menstruação irregular pode aumentar o risco de morte prematura, ao invés do sangramento irregular, por si só”, explica.

Rachel Tribe, investigadora da King’s College London, em Inglaterra, também tem a mesma opinião. “Este estudo não deve ser motivo de preocupação para todas as jovens mulheres com ciclos menstruais irregulares e/ou longos, pois há muitos outros fatores envolvidos”.

“Mas espero que esta informação possa aumentar a consciencialização e encoraje os profissionais de saúde (assim como as mulheres) a investigarem os ciclos menstruais irregulares; uma abordagem que tem potencial para melhorar a saúde reprodutiva e subsequentes resultados a longo prazo”, acrescenta.


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