O ministro da Economia e da Coesão Territorial, Castro Almeida, estabeleceu como meta prioritária do Executivo assegurar que a valorização remuneratória dos cidadãos ultrapasse de forma consistente a subida dos preços. Esta declaração surgiu em Santa Maria da Feira, durante o evento de apresentação da Estratégia Norte 2024, após a análise dos indicadores recentes relativos ao desempenho económico, ao mercado de trabalho e ao custo de vida no país.
Evolução do poder de compra
O governante sustentou que o nível de bem-estar das famílias tem registado melhorias, fundamentando a sua análise no desempenho positivo observado nos últimos exercícios financeiros. Ao referir os dados disponíveis, apontou que, ao longo de 2025, o território nacional posicionou-se como o terceiro país europeu com maior ritmo de aumento salarial. Mesmo no início de 2026, os salários registaram um incremento de 6,6%, superando claramente a inflação situada nos 3,3%.
Contudo, a subida contínua da inflação gera inquietação na tutela, uma vez que este fenómeno penaliza o excedente disponível nas carteiras das famílias. O objetivo do Governo passa por permitir que os rendimentos sejam aplicados na resolução de necessidades quotidianas e no consumo doméstico. Para que este cenário seja sustentável, Castro Almeida defende a necessidade de tornar as empresas nacionais mais competitivas, promovendo um aumento na produtividade laboral por hora, o que se traduzirá em remunerações mais elevadas.
Impacto psicológico dos preços
Foi ainda reconhecido o peso que o agravamento do custo dos combustíveis exerce sobre o ânimo dos portugueses. O governante descreveu a gasolina como um fator de pressão psicológica com efeitos práticos imediatos, nomeadamente no custo dos bens alimentares, que tendem a sofrer escaladas superiores à inflação média. Esta conjuntura é classificada como uma fonte de perturbação para a estabilidade do orçamento familiar.
Contexto macroeconómico
A economia portuguesa demonstrou resiliência ao crescer 2,3% durante o primeiro trimestre face ao período homólogo, impulsionada pelo dinamismo do consumo privado e pelo volume de investimento. Embora a estimativa oficial de crescimento para 2026 apontasse inicialmente para 2,3%, a ocorrência de condições climatéricas adversas e as tensões geopolíticas no Médio Oriente levaram a um ajustamento conservador da previsão para a casa dos 2%.
Quanto ao mercado laboral, os dados provisórios refletem uma tendência positiva. A taxa de desemprego fixou-se em 5,7% no mês de abril. Este valor traduz uma melhoria face aos 5,8% registados em março e representa uma redução de 0,5 pontos percentuais quando comparado com o registo observado no mesmo mês do ano transato.











