Lisboa, Portugal – As intervenções policiais registadas em manifestações pela habitação em Lisboa e no Porto motivaram o nascimento do movimento Mães do Rossio. Um grupo inicial de 74 subscritoras — que inclui figuras públicas como Lídia Jorge, Catarina Furtado, Filomena Cautela, Gisela João, Helena Roseta, Rita Blanco e Capicua — formalizou uma tomada de posição através de uma carta aberta tornada pública na terça-feira, 3 de novembro.
As signatárias rejeitam o que classificam como abusos, desumanização e indiferença perante cidadãos que exerciam o direito de protesto pacífico. “Queremos que as instituições façam o seu trabalho para que a força não substitua a política, o direito e o diálogo”, apontam no documento, sublinhando que o coletivo nasceu do sobressalto perante a violência policial observada.
Direcionada a várias figuras e órgãos de soberania, a missiva apela a uma reação institucional firme. Ao Presidente da República é solicitado que manifeste indignação pública e exerça o seu papel constitucional de garante democrático. Já ao primeiro-ministro, o movimento exige esclarecimentos sobre a revisão das ordens dadas às forças de segurança à luz de uma recente decisão do Tribunal Administrativo de Círculo de Lisboa, questionando a prática de tratar as 00h30 como limite automático para dispersar concentrações pacíficas.
À provedora de Justiça foi pedida a divulgação das conclusões recolhidas no terreno pelos observadores presentes nos atos de protesto. Aos deputados na Assembleia da República requer-se um escrutínio rigoroso das ordens operacionais, acionando os mecanismos constitucionais para salvaguardar a liberdade de reunião. Por fim, o Ministério Público e a Inspeção-Geral da Administração Interna são instados a conduzir investigações céleres e independentes sobre eventuais atuações policiais ilegítimas.
A carta permanece aberta à adesão de novos cidadãos de todas as gerações. No fecho do documento, as subscritoras alertam que a discussão ultrapassa o setor imobiliário e afeta o próprio núcleo dos direitos constitucionais, recusando que a liberdade de expressão se restrinja a proclamações cerimoniais.






