O ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho alertou, nesta quinta-feira (10), que se o atual ritmo de crescimento da imigração em Portugal continuar, os portugueses poderão “sentir-se estrangeiros na sua própria terra”. A declaração foi feita durante a apresentação do livro Introdução ao Liberalismo, de Miguel Morgado, em Lisboa.
Baseando-se em dados divulgados pela AIMA (Agência para a Integração, Migrações e Asilo), que indicam que o número de estrangeiros residentes em Portugal quadruplicou em sete anos, atingindo 1,5 milhões de pessoas no final de 2024, Passos Coelho afirmou que “em muito pouco tempo entrou imensa gente em Portugal”.
O ex-primeiro-ministro advertiu que, caso o cenário se mantenha, o país pode enfrentar tensões semelhantes às de outras sociedades onde “as pessoas se sentem estrangeiras na sua própria terra”. Segundo ele, embora o liberalismo aceite a diversidade cultural e o cosmopolitismo, “na prática, as pessoas sentem-se inseguras, ameaçadas e desorientadas”.
Passos Coelho acusou os governos socialistas liderados por António Costa de adotarem uma política de imigração “baseada no princípio do ‘deixa entrar’”, sem controlo suficiente. Segundo ele, o antigo primeiro-ministro teria sido alertado pelo Serviço de Estrangeiros e Fronteiras (SEF) sobre a falta de fiscalização, mas teria insistido em manter o processo aberto de entrada de imigrantes.
O ex-líder do PSD afirmou que essa política foi “consciente” e sugeriu que se questione o atual presidente do Conselho Europeu, António Costa, sobre se mantém a mesma posição.
Relembrando críticas que recebeu durante a campanha eleitoral de 2024, quando já alertava para o tema da imigração, Passos Coelho destacou que, na altura, foi acusado de “populismo” por associar imigração e segurança, mas reforçou que “agora os factos mostram que havia motivo para preocupação”.
Por fim, Passos Coelho alertou para o crescimento do radicalismo político em Portugal e na Europa, que, segundo ele, é consequência da “irresponsabilidade com que muitos governos trataram temas que preocupam as pessoas”. O ex-primeiro-ministro defendeu que a falta de ação e o excesso de demagogia alimentam a desconfiança nas instituições e acabam por gerar “mais radicalismo”.







