O secretário-geral do PCP insistiu na noção de que “ninguém comparece iludido” aos encontros que se iniciam na próxima semana com as formações políticas para debater o Orçamento do Estado. O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, avaliou este domingo que o líder do PSD e primeiro-ministro presenteou o país com uma declaração marcada por promessas e quimeras, ao divulgar um leque de iniciativas para moradia acessível.
“Fomos presenteados com uma declaração ainda com alguma extensão, marcada por aquilo que tem caracterizado este Executivo”, ou seja “promessas, quimeras [e] distanciadas da realidade das carências” da população, afirmou este domingo Paulo Raimundo em declarações à agência Lusa, à margem da visita à Feira de Agosto, em Grândola, no distrito de Setúbal.
Questionado pela Lusa sobre as iniciativas apresentadas por Luís Montenegro para ampliar a moradia acessível e dar maior utilização ao património do Estado, Paulo Raimundo afirmou não ter ilusões.
E recordou “aqueles apelos à juventude, aquela preocupação com a juventude e depois ocultou aquilo que deseja para a juventude que é modificar o pacote laboral para intensificar mais a precariedade, para reduzir mais os vencimentos, flexibilizar ainda mais as jornadas de trabalho, o tempo de labor, para despedir mais facilmente”.
Sobre a declaração de Luís Montenegro na sessão de encerramento da 21.ª edição da Universidade de Verão do PSD, que este domingo terminou em Castelo de Vide (Portalegre), Paulo Raimundo afirmou, em tom sarcástico, que “quase [foi] levado pela comoção que o primeiro-ministro transmitiu” ao discorrer sobre as residências académicas e da carência de leitos para os discentes.
“Podia ter aproveitado aquele instante e aquela comoção e lágrima no olho para esclarecer por que razão estava uma iniciativa encaminhada em Évora a partir de um prédio militar, preparado para ser adaptado para servir os discentes e [que] paralisou”, afirmou.
Ou, continuou, “por que razão há uma década, aguardamos no edifício do antigo ministério da Educação, na avenida 5 de Outubro, em Lisboa, que comportaria centenas de leitos, que supostamente seria transformado em residência universitária até hoje não foi concretizado”.
“Se a preocupação era tanta e legítima com as questões da moradia, o primeiro-ministro podia ter dito que perante este drama temos de adoptar medidas imediatas, dentro do que é exequível, e anunciar, por exemplo, a suspensão do aumento dos aluguéis que se vai efectivar já em janeiro do próximo ano”, argumentou.
Já no que concerne ao Orçamento de Estado (OE), o secretário-geral do PCP destacou as palavras de Luís Montenegro que, na declaração de este domingo, afirmou que “é um instrumento da sua própria política e que tem de ser um instrumento para dar continuidade, intensificar e acelerar a política deste Executivo”.
“Uma política de desmonte do Serviço Nacional de Saúde, do aumento do custo de vida, do pacote laboral com as medidas que estão em cima da mesa, uma política que fala em nome das necessidades da moradia, mas depois aquilo que desenvolve são concepções que beneficiam aqueles que nos trouxeram até aqui: os fundos imobiliários e a banca”, criticou.
E insistiu na noção de que “ninguém comparece iludido” aos encontros que se iniciam na próxima semana com as formações políticas para debater o OE.
“Ninguém comparece iludido quando lá for dialogar com o Executivo e vamos lá ver quem vai acompanhar o Executivo nesta aventura catastrófica, com uma política catastrófica para o país e para a vida de cada um de nós”, afirmou.
Da parte do PCP, o Executivo pode aguardar um “firme combate dentro das forças que tem e aquelas que vai ter de criar ainda mais”, garantiu.










