Toledo, Espanha – O Ministério dos Negócios Estrangeiros confirmou, na tarde de quinta-feira, o desaparecimento de um cidadão português na sequência da colisão entre dois comboios de alta velocidade ocorrida nas imediações de Urda, em Toledo. Paulo Rangel adiantou que existe uma probabilidade muito forte de a vítima integrar a lista de passageiros de uma das composições afetadas, após o executivo português ter sido contactado diretamente pelos familiares.
O sinistro, registado na manhã de quarta-feira, aconteceu quando um comboio AVE da operadora Renfe embateu contra uma composição da Iryo que permanecia imobilizada na via devido a uma avaria prévia, tendo recebido ordens para retomar a marcha. O balanço oficial aponta para 69 vítimas mortais e cerca de 200 feridos, dos quais 50 continuam internados em unidades hospitalares de Castela-La Mancha, segundo dados avançados pelo presidente regional Emiliano García-Page. A Guardia Civil contabilizou pelo menos 64 registos relativos a desaparecidos, enquanto os trabalhos de busca prosseguiram pela segunda noite consecutiva com centenas de efetivos da polícia, exército e Proteção Civil no terreno.
A Autoridade Independente para a Investigação Técnica de Acidentes e Incidentes Ferroviários, Marítimos e de Aviação Civil procedeu à recuperação das caixas negras de ambas as composições. Os dados preliminares apontam para uma velocidade de impacto compreendida entre 160 e 200 quilómetros por hora, força que empurrou a carruagem dianteira do AVE para o interior da retaguarda do Iryo, provocando o capotamento de ambas em direção ao talude. O restante comboio da Renfe sofreu um descarrilamento total, com os últimos seis vagões retidos na plataforma e mais um a tombar pela encosta abaixo.
A catástrofe desencadeou forte contestação política a poucas semanas das eleições legislativas antecipadas. O ministro dos Transportes, Óscar Puente, encontra-se no centro das críticas de sindicatos e da oposição, que rejeitam a atribuição exclusiva das culpas a erros humanos. Apesar dos apelos à demissão direcionados tanto a Puente quanto ao chefe do Governo, Pedro Sánchez — que visitou o local das operações de emergência e prometeu reforço na segurança ferroviária —, o executivo mantém o apoio ao ministro. Óscar Puente agendou uma comparência voluntária perante a Comissão Permanente do Congresso para a próxima terça-feira, ao mesmo tempo que o Partido Popular exige explicações diretas ao primeiro-ministro.









