Caracas, Venezuela – A prioridade máxima continua a ser a garantia de justiça e a libertação de todos os civis e militares detidos por motivos políticos. Numa conferência de imprensa realizada em Caracas, María Corina Machado afastou qualquer cenário de conversações com Delcy Rodríguez, garantindo não ter recebido qualquer recado, nem de Washington nem da governante.
O regresso da opositora à Venezuela aconteceu no passado domingo, meses depois de ter abandonado o território de forma clandestina, em dezembro de 2025, para recolher o Prémio Nobel da Paz. Perante os jornalistas, apontou o dedo aos responsáveis pela atual situação do país, acusando-os de transformarem uma das nações mais ricas do hemisfério num reduto de máfias internacionais e de forçarem o êxodo de mais de nove milhões de cidadãos.
Apesar de reconhecer que foram dados passos relevantes para permitir o seu retorno, a ativista frisou que o aparelho repressivo se mantém ativo. A capacidade de retaliação continua a assustar a sociedade, tornando urgente a desmontagem total desse sistema e a soltura imediata dos detidos.
No plano económico, a estratégia delineada para o setor energético prevê uma aliança estratégica com os Estados Unidos assentes em cinco vetores fundamentais: leis transparentes para atrair investimento privado, a criação de uma Agência Nacional de Hidrocarbonetos totalmente autónoma, concursos públicos sem ajustes diretos, fiscalidade competitiva atrelada ao valor do crude e recurso à arbitragem internacional para salvaguardar a propriedade privada.
O roteiro institucional traçado pela oposição exige ainda a reestruturação do Supremo Tribunal de Justiça e do Conselho Nacional Eleitoral, bem como a marcação de sufrágios presidenciais. A dirigente de 59 anos vincou a necessidade de depurar urgentemente os cadernos de recenseamento para que a totalidade dos eleitores, residentes no país ou na diáspora, possa participar no ato eleitoral, defendendo também o fim constitucional da reeleição indefinida.









