Lisboa, Portugal – O Conselho de Ministros deu luz verde à chamada Estratégia Nacional de Segurança Rodoviária – Visão Zero 2030. Com esta decisão, o Governo eleva a sinistralidade a uma das suas prioridades transversais, tentando retirar o tema da periferia das preocupações políticas para o colocar, finalmente, no centro das decisões sobre mobilidade.
O desenho deste documento não deixa margem para ambiguidades quanto aos objetivos. A meta imediata é ambiciosa: cortar para metade o número de vítimas mortais e de feridos graves nas estradas portuguesas durante esta década. O horizonte temporal estende-se depois até 2050, ano em que o país pretende atingir a marca de zero mortes ou feridos graves no trânsito, convergindo assim com os padrões médios exigidos pela União Europeia.
A estratégia, que estava já contemplada no Programa do Governo, vai agora ser submetida a um período de consulta pública. O modelo de execução promete ser apertado, com uma governação interministerial que obriga a um acompanhamento permanente dos resultados.
Na prática, a estrutura baseia-se em cinco eixos fundamentais que deverão ditar as mudanças no terreno. O foco reparte-se por utilizadores mais cautelosos, infraestruturas que não perdoem o erro humano, veículos dotados de mais tecnologia, velocidades adaptadas à realidade das vias e uma resposta pós-acidente mais eficaz.
Ninguém está isento de responsabilidades nesta matéria. O sucesso da iniciativa não depende apenas de decisões administrativas ou orçamentos estatais, mas exige que autarquias, setor privado e, acima de tudo, cada cidadão — seja ao volante de um automóvel ou a atravessar a rua a pé — assuma um compromisso real. A mudança de atitude de quem circula diariamente na via pública é, em última análise, a peça mais difícil e necessária de todo este puzzle.











