O Fundo Monetário Internacional reviu em baixa o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) nacional para este ano. Este novo cálculo afasta-se da estimativa avançada em abril, que já tinha sofrido um ajuste negativo face aos valores de outubro do ano passado. O otimismo estatal também parece não encontrar eco nesta análise, uma vez que o Executivo esperava uma subida da economia na ordem dos 2% no relatório enviado para Bruxelas, um valor que agora surge como difícil de alcançar perante as novas contas da instituição.
Na base desta leitura pessimista, os técnicos apontam o peso do conflito no Médio Oriente. A instabilidade geopolítica ameaça anular os benefícios esperados pela injeção de fundos comunitários. A isto junta-se a fatura das intempéries registadas nos primeiros meses do ano. Embora exista a expectativa de que as obras de reconstrução venham a dinamizar a economia num futuro próximo, o efeito final destas catástrofes no cômputo anual tende a ser neutro.
Olhando para o longo prazo, as projeções para 2027 e 2028 situam-se nos 1,6% e 1,8%, respetivamente. Esta travagem esperada para 2027 não é acidental: está ligada diretamente à conclusão do ciclo de investimento impulsionado pelo Plano de Recuperação e Resiliência, que deixará de servir como motor de arranque.
Equilíbrio nas contas públicas sob escrutínio
No que toca ao saldo orçamental, o FMI projeta agora um resultado nulo para 2024, melhorando a previsão de um défice de 0,1% que tinha avançado na primavera. Para 2026, a perspetiva é de que as contas públicas se mantenham equilibradas, apesar de o impacto financeiro decorrente das tempestades representar, só por si, cerca de 0,3% do PIB.
A estratégia do Governo, que engloba descontos no ISP devido à volatilidade energética e promessas de novos cortes no IRS presentes na proposta de Orçamento do Estado para 2026, é reconhecida como um mecanismo de defesa contra choques externos. No entanto, paira um aviso claro: a natureza expansionista destas medidas pode reavivar pressões inflacionistas, complicando o controlo dos preços num contexto de crescimento moderado.











