Luís Encarnação, presidente da Câmara Municipal de Lagoa desde 2019 e candidato à reeleição, defende a importância da participação ativa dos residentes estrangeiros na vida política local. Em entrevista ao The Portugal News durante a pré-campanha, o autarca destacou o papel fundamental dessas comunidades para a economia e para a identidade cosmopolita do município algarvio, e apelou para que exerçam o direito ao voto nas eleições autárquicas.
Reflexão sobre o crescimento do Chega
Questionado sobre o crescimento do Chega em Lagoa, Encarnação demonstrou respeito pelo resultado das urnas:
“Com toda a humildade democrática, o povo falou, e temos que aceitar os princípios da democracia, que são os pilares do PS. Agora é tempo de refletir para perceber se o descontentamento que levou a este voto tem origem em políticas nacionais ou locais.”
O autarca sublinhou que o município tem cumprido os compromissos assumidos em 2021, como a recuperação da economia pós-Covid, a substituição de redes de água para melhorar a eficiência hídrica e a pavimentação de estradas.
Uma comunidade estrangeira diversa e essencial
Lagoa acolhe duas realidades distintas de residentes estrangeiros: cidadãos aposentados ou empreendedores, sobretudo oriundos da Europa, América do Norte e outras regiões, que escolheram o concelho pela sua qualidade de vida; e imigrantes, em sua maioria de países asiáticos, que trabalham em setores essenciais como hotelaria, limpeza urbana, agricultura e restauração.
Para Encarnação, ambos os grupos são fundamentais:
“Sem esses imigrantes, não teríamos mão de obra suficiente para manter as nossas unidades hoteleiras a funcionar ou para as tarefas de limpeza urbana e agrícolas. Já os residentes estrangeiros com segunda residência aqui contribuem para dinamizar a economia local graças ao seu poder de compra.”
Preocupação com a convivência e a integração
O presidente reconhece que a ascensão de discursos populistas pode alimentar sentimentos xenófobos, mas garante que ainda não há registo de incidentes graves no concelho.
“É preciso distinguir aqueles que não querem trabalhar, que geram algum descontentamento, daqueles que estão aqui para trabalhar e ajudar a economia. Esses merecem todo o nosso respeito e acolhimento.”
Integração cultural e educativa
O município também tem procurado promover a integração através da cultura e da educação.
“Tentamos que o nosso programa cultural seja versátil, incluindo eventos que agradem também aos gostos e às tradições das comunidades estrangeiras. Lagoa é uma cidade cosmopolita, e isso nos distingue e torna a região ainda mais atraente”, destacou.
Além disso, o Centro Qualifica oferece cursos de português para não nativos, de modo a facilitar a comunicação e a inclusão social.
O voto como ferramenta de pertença
Encarnação fez questão de apelar para que os residentes estrangeiros que tenham direito a voto participem nas eleições locais:
“Quem reside aqui grande parte do ano deve ajudar a escolher quem toma as decisões do concelho. Votar é também uma forma de integração, de se sentir parte da comunidade e de participar ativamente na vida social. É um sentimento de pertença.”
O autarca concluiu reforçando a ideia de que o voto é não apenas um direito, mas um passo importante para a plena integração:
“Participar nas eleições aproxima-os da comunidade, ajuda-os a compreender melhor as nossas dinâmicas e a sentir que realmente pertencem a Lagoa.”










