O presidente do Chega e candidato presidencial, André Ventura, exigiu esta segunda-feira que o primeiro-ministro se retrate depois de, no seu entender, ter “deixado implícito” que as pessoas que morreram em consequência do mau tempo seriam responsáveis pelo próprio desfecho.
“Numa intervenção do primeiro-ministro, ficou basicamente subentendido que a responsabilidade das pessoas que morreram recai sobre elas próprias. Ou seja, que não conseguiram evitar essa consequência, sugerindo que foi pelo seu comportamento que acabaram por perder a vida”, afirmou.
André Ventura falava aos jornalistas antes de uma deslocação à empresa Madeiras Alto Tâmega, em Chaves, no distrito de Vila Real, no âmbito da campanha para a segunda volta das eleições presidenciais, agendada para domingo.
O candidato a Presidente da República sublinhou que “não foi” essa a realidade e que as vítimas “não estavam à espera” do temporal que tem atingido o país nos últimos dias.
“No limite, foi por falha ou inação do Estado que essas pessoas acabaram por morrer”, defendeu.
Ventura disse ainda esperar que as palavras do chefe do Governo tenham sido “um lapso”.
“Acredito que o primeiro-ministro terá, e espero que tenha, oportunidade de se retratar em relação a estas declarações”, afirmou.
No domingo, numa conferência de imprensa após um Conselho de Ministros extraordinário que aprovou medidas de apoio às populações afetadas pelo mau tempo, Luís Montenegro apresentou condolências às “famílias daqueles que não evitaram a trágica consequência de perderem a vida em função destes episódios adversos”.
O líder do Chega voltou também a criticar as medidas anunciadas pelo Governo, considerando-as “manifestamente insuficientes face à gravidade da situação” e “um desrespeito pelo sofrimento das pessoas”.
Ventura reiterou as acusações de incompetência ao executivo na gestão da crise e defendeu que Portugal já deveria ter recorrido ao Fundo de Solidariedade da União Europeia.
“Compreendo que, se o Governo tivesse apresentado um montante robusto e verdadeiramente adequado para apoiar as pessoas, talvez se pudesse prescindir dos fundos europeus. Mas quando se estabelecem tetos de pouco mais de 500 euros por pessoa e cerca de 1.070 euros por agregado familiar, se não há dinheiro e existem fundos disponíveis, porque é que o Governo, mais uma vez, não recorreu a eles? Isto é incompetência”, concluiu.










