A aparente acalmia que se viveu no Médio Oriente durante o fim de semana esconde uma realidade muito mais volátil. Donald Trump já avisou que qualquer nova provocação de Teerão terá uma resposta “com muita força” por parte das forças norte-americanas. O aviso surge depois de o comando militar dos Estados Unidos na região, o CENTCOM, ter fustigado vários centros logísticos e depósitos de armamento da Guarda Revolucionária do Irão e dos seus aliados, num esforço para travar a escalada de violência.
Esta pausa temporária nos combates surge após quase duas semanas de bombardeamentos diários. A última vaga de ataques aéreos norte-americanos ocorreu na passada quinta-feira, marcando o décimo terceiro dia de confrontos desde que o cessar-fogo de junho desabou. A trégua anterior pretendia abrir caminho para um acordo de paz duradouro, mas a realidade no terreno acabou por ditar o regresso às armas.
Diplomacia de bastidores e o nó de Ormuz
No centro do impasse estão duas questões críticas: o programa nuclear de Teerão e o bloqueio militar imposto pelos iranianos ao tráfego comercial no estratégico estreito de Ormuz. É precisamente aí que os mediadores tentam operar. Omã tem assumido o papel de principal interlocutor com o Irão, mas os bastidores estão povoados por outros atores. Qatar, Paquistão, Egito e os emissários da Casa Branca, Steve Witkoff e Jared Kushner, multiplicam-se em contactos para encontrar uma saída.
Apesar do otimismo de Trump, que assegurou que as conversações têm “boas hipóteses” de sucesso face à recente paragem dos ataques, o discurso oficial de Teerão permanece inflexível. O regime iraniano recusa admitir qualquer envolvimento em negociações diretas com Washington, ignorando os esforços dos mediadores regionais que tentam construir pontes com a diplomacia do país.
A pressão sobre os arsenais
Paralelamente à diplomacia, há uma batalha de desgaste em curso. Desde o início da ofensiva israelo-americana, a 28 de fevereiro, o consumo de material militar tem sido intenso. Nos corredores de Washington, cresce o receio de que as reservas de sistemas de mísseis Patriot e de outras baterias de defesa antiaérea destinadas a proteger os aliados no Golfo estejam a atingir níveis preocupantes. Trump, contudo, desvaloriza o cenário de escassez.
A raiz deste último ciclo de violência remonta ao final de junho, quando Omã, com o patrocínio norte-americano, desenhou um corredor marítimo temporário e livre de taxas para viabilizar a navegação no estreito. O ministro dos Negócios Estrangeiros omanense confirmou novos contactos com o Irão, Qatar, Kuwait, Arábia Saudita e Egito para tentar salvar este “acordo justo”. A rota, contudo, continua sob ameaça direta de Teerão, que respondeu com ataques a navios mercantes, gerando a retaliação de Washington que agora se tenta conter.











